A tendinite causa uma dor que exige atenção.
Quem trabalha em frigorífico conhece bem a rotina: movimentos repetitivos, ritmo intenso de produção, baixas temperaturas e longas jornadas utilizando as mãos, os braços e os ombros praticamente o tempo todo.
Com o passar dos meses ou dos anos, é comum que essa rotina comece a provocar dores persistentes, perda de força, dificuldade para realizar determinados movimentos e outros sintomas que muitas pessoas acabam considerando “normais” da profissão.
No entanto, sentir dor todos os dias não faz parte do trabalho.
Em muitos casos, esses sintomas indicam uma tendinite ou outro distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT), doenças que muitas vezes comprometem a saúde do trabalhador e, quando têm relação com a atividade exercida, ser reconhecidas como doenças ocupacionais.
Entenda quando a tendinite é considerada doença ocupacional, reconheça os sinais que merecem atenção, conheça os seus direitos e saiba como proteger a sua saúde.
Boa leitura! ☺
O que é a tendinite?
A tendinite é uma inflamação ou irritação dos tendões, estruturas que ligam os músculos aos ossos e são responsáveis por permitir os movimentos do corpo.
Essa condição costuma surgir de forma gradual, principalmente em atividades que exigem esforço físico contínuo ou a repetição dos mesmos movimentos durante longos períodos.
Nos frigoríficos, é comum que a tendinite atinja regiões como ombros, cotovelos, punhos e mãos, justamente por serem as partes do corpo mais exigidas durante a jornada de trabalho.
Como a tendinite costuma se desenvolver
Os primeiros sinais nem sempre chamam atenção. Muitas vezes, a dor aparece apenas no fim do expediente e melhora após o descanso.
Com o tempo, porém, os sintomas se tornam constantes e passam a dificultar tarefas simples do dia a dia, como segurar objetos, levantar o braço e realizar movimentos que antes eram fáceis. Até mesmo para pentear o cabelo.
Em alguns casos, a tendinite faz parte de um grupo de doenças conhecidas como Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) ou Lesões por Esforços Repetitivos (LER).
Na maioria dos casos, essas condições estão diretamente ligadas às atividades desempenhadas pelo trabalhador e podem configurar doenças ocupacionais quando existe essa relação.
IMPORTANTE
O diagnóstico médico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar o agravamento da lesão e reduzir o risco de limitações permanentes.
Por isso, ao perceber dores frequentes ou perda de força, é importante procurar atendimento médico e informar se os sintomas estão relacionados ao trabalho.
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Doenças ocupacionais comuns em frigorífico

Por que a tendinite é tão comum em frigoríficos?
O trabalho em frigoríficos reúne diversos fatores que aumentam o risco de desenvolver tendinite e outras doenças relacionadas ao sistema musculoesquelético.
A combinação entre movimentos repetitivos, ritmo acelerado de produção, esforço físico constante e baixas temperaturas exige muito do corpo, especialmente dos membros superiores.
Em muitas funções, o trabalhador realiza o mesmo movimento centenas ou até milhares de vezes ao longo da jornada.
Esse esforço contínuo sobrecarrega tendões, músculos e articulações, favorecendo o surgimento de inflamações e lesões que, no início, costumam ser discretas, mas tendem a se agravar com o passar do tempo.

Quais fatores do trabalho aumentam esse risco?
Além da repetição dos movimentos, outros fatores presentes na rotina dos frigoríficos contribuem para o desenvolvimento da tendinite, como:
- uso frequente de facas e outras ferramentas de corte;
- aplicação de força durante a execução das atividades;
- permanência em ambientes com baixas temperaturas;
- jornadas intensas e ritmo elevado de produção;
- pausas insuficientes para recuperação muscular;
- manutenção da mesma postura por longos períodos.
A presença de um ou mais desses fatores não significa, por si só, que o trabalhador desenvolverá uma doença ocupacional.
No entanto, eles são considerados importantes elementos na avaliação da relação entre a atividade exercida e o problema de saúde apresentado.

Quando a tendinite se torna uma doença ocupacional?
Nem toda tendinite é considerada uma doença ocupacional. Para que isso aconteça, é necessário demonstrar que existe uma relação entre a doença e as atividades desempenhadas pelo trabalhador.
Essa análise leva em consideração diversos fatores, como a função exercida, os movimentos realizados durante a jornada, as condições do ambiente de trabalho e os documentos médicos apresentados.
Contudo, em alguns casos, também é necessária uma perícia para confirmar esse vínculo.
Como comprovar essa relação?
A comprovação normalmente é feita por meio de exames, laudos médicos, prontuários, emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), histórico das atividades exercidas e, quando necessário, perícias realizadas pelo INSS ou pela Justiça.
Quando fica comprovado que a tendinite foi causada ou agravada pelo trabalho, ela é reconhecida como uma doença ocupacional, garantindo ao trabalhador o acesso aos direitos previstos na legislação trabalhista e previdenciária.
Quais direitos o trabalhador com tendinite tem?
Se o reconhecimento da tendinite como doença ocupacional ocorrer, o trabalhador poderá ter acesso a direitos trabalhistas e previdenciários, desde que preencha os requisitos previstos na legislação.
Os principais são:
Emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho)
A CAT é o documento que formaliza perante o INSS que a doença ou o acidente tem relação com o trabalho.
No caso da tendinite, a emissão da CAT é importante quando há indícios de que a doença foi causada ou agravada pelas condições de trabalho.
A responsabilidade pela emissão da CAT é da empresa. Entretanto, se ela deixar de cumprir essa obrigação, o próprio trabalhador, seus dependentes, o sindicato, o médico assistente ou uma autoridade pública também conseguem registrar o documento.
Auxílio por incapacidade temporária
Devido ao trabalhador que precisa se afastar das atividades por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), conforme avaliação do INSS.
Saiba mais sobre o auxílio-doença:
Auxílio-acidente
Benefício de natureza indenizatória concedido quando a tendinite deixa sequelas permanentes que reduzem a capacidade para o trabalho, mesmo que o trabalhador continue exercendo sua atividade.
Estabilidade no emprego
Em determinadas situações, o trabalhador que retorna do afastamento por benefício acidentário tem direito à estabilidade provisória no emprego.
Indenização contra a empresa
Se a doença estiver relacionada à falta de medidas de segurança, condições inadequadas de trabalho ou outras falhas do empregador pode haver direito à indenização pelos prejuízos sofridos.
Para se aprofundar sobre a indenização, veja também artigo abaixo:
Aposentadoria por incapacidade permanente
Nos casos mais graves, em que a tendinite provoca uma incapacidade total e permanente para o trabalho e não há possibilidade de reabilitação para outra atividade, o trabalhador pode ter direito à aposentadoria por incapacidade permanente.
A concessão desse benefício depende da avaliação do INSS, que analisará a condição de saúde, a incapacidade para o trabalho e a possibilidade de reabilitação profissional.
Cada caso é avaliado individualmente, com base na perícia médica e na documentação apresentada.
IMPORTANTE
A tendinite, por si só, não garante o direito à aposentadoria por incapacidade permanente. O benefício é destinado às situações em que a doença impede de forma definitiva o exercício de qualquer atividade laboral compatível com a condição do trabalhador.
Tendinite sempre dá direito aos benefícios do INSS?
Não. O diagnóstico de tendinite, por si só, não garante a concessão de um benefício previdenciário.
Para que o trabalhador tenha direito aos benefícios, é necessário que o INSS reconheça a incapacidade para o trabalho, ainda que temporária, por meio da perícia médica.
Também será analisada a relação entre a doença e as atividades exercidas, especialmente nos casos em que há suspeita de doença ocupacional.
Sofre com tendinite ou outra doença ocupacional?
O trabalhador consegue continuar trabalhando mesmo com tendinite?
Depende da gravidade da doença e da avaliação médica. Em alguns casos, o trabalhador consegue trabalhar com adaptações na função ou após tratamento adequado.
Em outros, o afastamento temporário é necessário para evitar o agravamento da lesão.
Continuar realizando movimentos repetitivos, mesmo sentindo dores, muitas vezes aumenta a inflamação, prolonga a recuperação e até causar sequelas permanentes.
Por isso, é importante não ignorar os sintomas e procurar atendimento médico logo nos primeiros sinais.
Quando buscar os benefícios
Caso o médico constate incapacidade para o trabalho, geralmente recomenda o afastamento. Se o trabalhador atender aos requisitos, poderá solicitar o benefício ao INSS.
Também é importante informar a empresa sobre o diagnóstico, especialmente quando houver suspeita de que a tendinite esteja relacionada às atividades desempenhadas.
Essa comunicação ajuda a garantir a adoção das medidas cabíveis e preserva os direitos do trabalhador.
Conheça os principais direitos dos trabalhadores de frigoríficos
Conheça e proteja os seus direitos
A tendinite não deve ser encarada como uma consequência natural do trabalho.
Se estiver relacionada às atividades exercidas, ela configura uma doença ocupacional e garante diversos direitos e benefícios ao trabalhador.
Se você trabalha em frigorífico, apresenta sintomas de tendinite ou recebeu esse diagnóstico e tem dúvidas sobre seus direitos, a Dal Piaz Advogados está preparada para analisar o seu caso.
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Fontes:
Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991
NR-36 – Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes e Derivados