Processos por acidentes e assédio no trabalho crescem 42% em Santa Catarina

Introdução

A saúde e a segurança no ambiente de trabalho voltaram ao centro das discussões em Santa Catarina. 

Dados recentes do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (TRT-SC) mostram que os processos envolvendo acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e assédio cresceram 42% entre 2024 e 2025.

Embora os números chamem atenção em todo o estado, o cenário é ainda mais preocupante no Oeste Catarinense. 

A região concentra proporcionalmente o maior volume de ações relacionadas a esses temas, com destaque para Chapecó, Joaçaba e São Miguel do Oeste.

Diante desse panorama, analisar esses dados é uma forma de compreender os desafios enfrentados na região e reforçar a importância da prevenção, da informação e do respeito aos direitos trabalhistas.

O que os números revelam sobre a saúde e segurança no trabalho em Santa Catarina

Os dados divulgados pelo TRT-SC mostram um aumento expressivo no número de ações judiciais relacionadas a acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e assédio.

Fonte: TRT SC

Crescimento preocupa especialistas

O aumento de 42% em apenas um ano demonstra que os problemas relacionados à saúde e segurança no trabalho continuam presentes na rotina de milhares de trabalhadores catarinenses.

Além disso, os números indicam que aproximadamente 12,5% das ações que chegaram ao TRT-SC em 2025 estão relacionadas a acidentes, doenças ocupacionais e assédio.

Esse cenário também reflete uma maior conscientização dos trabalhadores sobre seus direitos, especialmente em situações que envolvem adoecimento físico, sofrimento emocional ou condições inadequadas de trabalho.

Oeste Catarinense concentra o maior volume proporcional de ações

Os dados do TRT-SC mostram que o Oeste Catarinense merece atenção especial quando o assunto é saúde e segurança no trabalho. 

Embora o crescimento dos processos tenha sido registrado em todo o estado, a região concentra proporcionalmente o maior volume de ações relacionadas a acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e assédio.

O levantamento aponta que Chapecó lidera o ranking estadual com 22% dos processos. Logo na sequência aparecem Joaçaba, com 19%, e São Miguel do Oeste, com 18%.

Joaçaba está entre os municípios com maior volume de processos

O dado chama atenção porque coloca Joaçaba entre as cidades com maior concentração proporcional de ações trabalhistas ligadas à saúde e segurança do trabalhador em Santa Catarina.

Isso demonstra, sobretudo, que acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e situações de assédio não são problemas distantes da realidade local. 

Pelo contrário, fazem parte do cotidiano de diversos trabalhadores da região.

O que explica esses números?

O Oeste Catarinense tem forte presença de setores econômicos que exigem esforço físico intenso e atividades repetitivas, como a agroindústria, os frigoríficos, o transporte e outras atividades operacionais.

Contudo, a crescente conscientização sobre direitos trabalhistas e saúde mental também tem levado mais trabalhadores a buscar orientação quando identificam situações de risco, adoecimento ou violação de direitos.

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Problemas são antigos 

Por outro lado, o aumento das ações não significa necessariamente que os problemas tenham surgido agora. 

Em muitos casos, ele reflete uma maior disposição dos trabalhadores em denunciar situações que antes permaneciam invisíveis ou eram tratadas como parte normal da rotina de trabalho.

Um alerta para trabalhadores e empresas

Os números do Oeste reforçam a importância de investir em prevenção, treinamento e ambientes de trabalho mais seguros.

Ao mesmo tempo, eles mostram que trabalhadores precisam estar atentos aos sinais de adoecimento físico e emocional, buscando orientação sempre que identificarem situações que possam comprometer sua saúde, segurança ou dignidade no ambiente profissional.

Os números mostram que a saúde e a segurança no trabalho continuam sendo desafios urgentes em Santa Catarina.(Foto: Gerada por IA – Dal Piaz Advogados).

Doenças ocupacionais registram o maior crescimento

Entre todos os indicadores analisados pelo TRT-SC, as doenças ocupacionais foram as que apresentaram o crescimento mais expressivo.

Em apenas um ano, o número de ações relacionadas a esse tema aumentou 63%, passando de aproximadamente 3 mil para mais de 5 mil casos.

O dado reforça uma realidade que muitas vezes se desenvolve de forma silenciosa. 

Diferentemente dos acidentes de trabalho, que costumam ocorrer de forma repentina, as doenças ocupacionais geralmente surgem ao longo do tempo, em razão das atividades desempenhadas ou das condições do ambiente de trabalho.

O adoecimento nem sempre é percebido no início

Em muitos casos, os primeiros sintomas são ignorados pelo trabalhador ou confundidos com situações passageiras do dia a dia.

Dores constantes, perda de força, fadiga excessiva, crises de ansiedade e dificuldades para dormir, por exemplo, são sinais de que a atividade profissional está impactando a saúde física ou mental do trabalhador.

Com o passar do tempo, esses problemas tendem a se agravar, gerando afastamentos, redução da capacidade de trabalho e até incapacidade permanente em alguns casos.

Doenças ocupacionais mais comuns

Entre os problemas mais frequentemente relacionados ao trabalho estão estes abaixo. 

Em regiões com forte presença da agroindústria e dos frigoríficos, como o Oeste Catarinense, também as lesões mais comuns decorrem de movimentos repetitivos, esforço físico intenso e jornadas que exigem grande desgaste corporal.

Quando a doença gera direitos ao trabalhador

Em casos em que existe relação entre a doença e a atividade exercida, o trabalhador tem acesso a diversos direitos previdenciários e trabalhistas.

Dependendo da situação, isso inclui benefícios por incapacidade, auxílio-acidente, estabilidade no emprego após afastamentos e até indenizações quando houver responsabilidade da empresa pelas condições que contribuíram para o adoecimento.

Por esse motivo, buscar orientação ao perceber os primeiros sinais da doença é muito importante para preservar a saúde e garantir o acesso aos direitos previstos na legislação.

Acidentes de trabalho seguem em alta

Além do aumento das doenças ocupacionais, os acidentes de trabalho continuam representando uma parcela significativa das ações trabalhistas em Santa Catarina.

De acordo com os dados do TRT-SC, os processos relacionados a acidentes de trabalho cresceram 37% entre 2024 e 2025, passando de aproximadamente 3,5 mil para 4,8 mil registros.

Esses números reforçam a necessidade de atenção constante às medidas de prevenção e segurança dentro das empresas.

O que é considerado acidente de trabalho?

Muitas pessoas associam o acidente de trabalho apenas a situações graves, mas a legislação possui um conceito muito mais amplo.

De acordo com a Lei nº 8.213/91, acidente de trabalho é aquele que ocorre pelo exercício da atividade profissional e provoca lesão corporal, perturbação funcional, perda ou redução da capacidade para o trabalho, temporária ou permanente, ou até mesmo a morte.

A legislação também equipara ao acidente de trabalho algumas situações específicas, como:

  • doenças ocupacionais relacionadas à atividade exercida;
  • acidentes ocorridos durante o trabalho, ainda que fora das dependências da empresa;
  • acidente de trajeto;
  • acidentes em viagens a serviço;
  • agressões sofridas em razão da atividade profissional;
  • situações que agravem uma condição de saúde em decorrência do trabalho.

Quando o acidente gera afastamento ou deixa sequelas, o trabalhador tem acesso a diversos benefícios e também direitos trabalhistas.

A prevenção continua sendo o melhor caminho

Embora a legislação ofereça proteção aos trabalhadores que sofrem acidentes, a prevenção continua sendo a medida mais eficaz.

Investimentos em treinamento, uso correto de equipamentos de proteção, fiscalização das condições de trabalho e cumprimento das normas de segurança ajudam a reduzir riscos e preservar a saúde dos profissionais.

Ao mesmo tempo, trabalhadores devem comunicar situações de perigo e buscar orientação sempre que sofrerem um acidente ou perceberem condições que coloquem sua integridade em risco.

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Assédio moral e sexual também apresentam crescimento

Os dados do TRT-SC mostram que o aumento dos processos não está relacionado apenas a acidentes e doenças ocupacionais.

Entre 2024 e 2025, as ações por assédio moral passaram de 2,3 mil para 3,3 mil processos. Já os casos de assédio sexual aumentaram de 230 para 372 registros.

Os números reforçam a importância de ambientes de trabalho mais respeitosos e seguros. Além dos impactos emocionais e psicológicos, situações de assédio muitas vezes geram afastamentos, adoecimento mental e o direito à indenização, dependendo de cada caso.

O que caracteriza assédio moral

O assédio moral acontece quando o trabalhador é exposto de forma repetitiva a situações humilhantes, constrangedoras ou abusivas no ambiente de trabalho.

Esse comportamento geralmente parte de superiores, colegas ou até subordinados e geralmente ocorre de maneira contínua, afetando a dignidade, a autoestima e a saúde emocional da vítima.

Entre os exemplos mais comuns estão:

  • humilhações públicas;
  • cobranças excessivas e vexatórias;
  • isolamento do trabalhador;
  • ameaças constantes;
  • exposição ao ridículo;
  • tratamento discriminatório.

Com o tempo, essas situações tendem a provocar ansiedade, depressão, síndrome de burnout e outros problemas de saúde mental.

O que caracteriza assédio sexual

Já o assédio sexual ocorre quando alguém utiliza sua posição ou o ambiente de trabalho para realizar investidas, constrangimentos ou abordagens de natureza sexual sem consentimento.

Esse tipo de conduta acontece por meio de palavras, mensagens, gestos, convites insistentes ou qualquer comportamento que gere constrangimento e viole a liberdade da vítima.

Além de representar uma grave violação dos direitos do trabalhador, o assédio sexual causa impactos emocionais profundos e gera responsabilização trabalhista, civil e até criminal para o agressor.

Por isso, as empresas devem manter políticas de prevenção, canais de denúncia e medidas efetivas para combater qualquer forma de assédio no ambiente de trabalho.

Os números servem como alerta para toda a região

Em suma, o crescimento dos processos relacionados a acidentes de trabalho, doenças ocupacionais e assédio demonstra que a saúde e a segurança no ambiente de trabalho continuam sendo grandes desafios em Santa Catarina, especialmente na Região Oeste.

Mais do que estatísticas, esses dados representam trabalhadores que tiveram sua saúde física ou emocional impactada e empresas que precisam fortalecer suas ações de prevenção e compliance.

Por isso, conhecer os direitos e agir rapidamente diante de acidentes, adoecimentos ou situações de assédio evita prejuízos ainda maiores.

A Dal Piaz Advogados acompanha de perto essa realidade

Atuamos na orientação de trabalhadores que buscam por seus direitos, bem como de empresas que desejam construir ambientes de trabalho mais seguros e alinhados à legislação. 

Mais do que chamar atenção para os números, esse levantamento serve como um convite à reflexão. 

Afinal, empresas e trabalhadores compartilham o mesmo objetivo: construir e manter ambientes de trabalho seguros, saudáveis e respeitosos. E essa construção começa muito antes de qualquer processo judicial.

Quer mais orientações sobre esse tema? 

Fale com nossos especialistas 

Fonte: 

TRT SC 

Lei nº 8.213/91

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