Setembro Amarelo: falar sobre saúde mental também é olhar para o trabalho
Passamos a maior parte da nossa vida no trabalho. Tem dias em que saímos da empresa, mas a cabeça continua lá.
As cobranças, os problemas, as metas e as situações vividas durante o expediente muitas vezes acompanham o trabalhador para casa e, aos poucos, isso afeta seu bem-estar.
No entanto, quando esse desgaste se torna constante, a saúde mental entra em sinal de alerta. Sobrecarga, pressão excessiva, jornadas desgastantes e assédio estão entre as situações que exigem atenção.
Os números mostram que essa conversa é urgente!
Em 2025, segundo o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou 546.254 afastamentos do trabalho por transtornos mentais, um aumento de 15% em relação ao ano anterior.
Ansiedade e depressão aparecem entre as principais causas desses afastamentos.
Então, durante o Setembro Amarelo, falar sobre saúde mental também significa olhar para dentro das empresas. Afinal, além de incentivar a busca por ajuda, é necessário reconhecer que as condições de trabalho também interferem no bem-estar dos trabalhadores.
O que é o movimento Setembro Amarelo?
O Setembro Amarelo é um movimento de conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio.
Durante o mês de setembro, o tema ganha mais espaço para que sofrimento emocional, depressão, ansiedade e pensamentos suicidas deixem de ser assuntos cercados pelo silêncio.
Mais do que falar sobre o problema, a campanha incentiva a escuta, o acolhimento e a busca por ajuda.
Afinal, nem sempre quem está sofrendo consegue dizer abertamente o que está acontecendo. Muitas vezes, os sinais aparecem no comportamento, no isolamento, na irritação, no cansaço constante ou na dificuldade de seguir a rotina.

Mas o que isso tem a ver com as empresas?
Nas empresas, a atenção para a saúde mental dos trabalhadores precisa fazer parte da rotina, porque problemas que começam pequenos também ganham proporções maiores quando ninguém olha para eles.
Uma equipe sobrecarregada, um trabalhador que vive sob pressão, conflitos que nunca são resolvidos, falta de apoio da liderança ou situações de assédio não desaparecem simplesmente porque ninguém fala sobre eles.
Ignorar esses sinais também tem consequências para a empresa, como afastamentos, queda de produtividade, conflitos entre equipes, aumento da rotatividade e perda de profissionais.
Por outro lado, cuidar da saúde mental não significa apenas oferecer uma palestra em setembro ou colocar um laço amarelo na empresa. Significa olhar para como o trabalho está organizado, como as pessoas são tratadas e quais situações estão gerando sofrimento no dia a dia.
É justamente aí que o Setembro Amarelo se conecta ao ambiente profissional: cuidar das pessoas também exige olhar para as condições em que elas trabalham.

Saúde mental no trabalho: por que cuidar dela é tão importante?
Saúde mental no trabalho não significa apenas estar livre de um transtorno. Envolve também ter condições para exercer as atividades profissionais com segurança, respeito e equilíbrio.
Por outro lado, um ambiente com cobranças excessivas, falta de apoio, jornadas desgastantes ou assédio certamente afeta esse equilíbrio ao longo do tempo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece fatores como sobrecarga, jornadas longas, falta de autonomia, insegurança, violência e assédio como riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
Burnout também está ligado ao ambiente de trabalho
A exposição prolongada a situações de estresse no trabalho também merece atenção.
A síndrome de burnout está relacionada ao estresse crônico no ambiente profissional que não foi administrado adequadamente e costuma envolver esgotamento físico e mental, distanciamento em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional.
Entretanto, nem todo cansaço ou período de estresse significa burnout.
O diagnóstico exige, sobretudo, a avaliação de um profissional de saúde, especialmente diante de sintomas persistentes que começam a interferir na rotina, no desempenho profissional e na qualidade de vida da pessoa.
Cuidar da saúde mental no trabalho também significa reconhecer os sinais de sofrimento e observar as condições que estão contribuindo para eles.
Saiba mais sobre a Síndrome de Burnout: sinais dados pelo corpo e pela mente e como a lei protege o trabalhador

Quais situações no trabalho prejudicam a saúde mental?
O ambiente profissional influencia diretamente a rotina e o bem-estar do trabalhador.
Cobranças excessivas, sobrecarga, falta de descanso e relações abusivas, por exemplo, tornam a jornada mais desgastante e, com o tempo, contribuem para o adoecimento mental dos trabalhadores.
Sobrecarga e pressão excessiva
Metas difíceis de alcançar, volume elevado de tarefas, jornadas prolongadas e cobranças constantes mantêm o trabalhador em um estado contínuo de tensão.
A falta de pausas e de tempo adequado para recuperação também aumenta esse desgaste.
Assédio moral
Humilhações, ameaças, constrangimentos, isolamento, críticas constantes e exposição diante dos colegas são exemplos de situações que merecem atenção.
O assédio moral, por sua vez, não representa apenas um conflito pontual, mas uma conduta que fere a dignidade e a saúde do trabalhador.
Falta de apoio e autonomia
Ter responsabilidades sem receber recursos, orientação ou autonomia suficientes também gera insegurança.
Da mesma forma, ambientes em que o trabalhador não encontra espaço para comunicar dificuldades ou pedir ajuda tornam o enfrentamento dos problemas ainda mais difícil.
Um ambiente inadequado também adoece
Problemas na organização do trabalho, conflitos frequentes, violência, insegurança e falta de medidas de prevenção estão entre os fatores que precisam ser observados pelas empresas.
No entanto, reconhecer essas situações não significa atribuir automaticamente ao trabalho a causa de todo problema de saúde mental.
A relação entre o ambiente profissional e o adoecimento precisa ser avaliada em cada situação, especialmente para verificar se existe uma doença ocupacional.
Como a lei protege a saúde mental dos trabalhadores
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Desde 26 de maio de 2026, as empresas devem considerar situações como sobrecarga de trabalho, assédio e falta de apoio na identificação e no controle dos riscos ocupacionais.
A norma reforça que a saúde mental também faz parte da segurança do trabalho.
Desta forma, a empresa deve identificar os riscos, avaliar seus impactos e adotar medidas de prevenção.
A participação dos trabalhadores nesse processo também está prevista na NR-1, inclusive para comunicar sua percepção sobre os riscos existentes no ambiente profissional.
Cuidados por parte das empresas
Mesmo com normas como a NR-1, que estabelecem medidas para identificar e prevenir riscos psicossociais, ainda existe um desafio maior: transformar essas exigências em cuidado de verdade dentro das empresas.
O Setembro Amarelo ajuda a reforçar justamente essa reflexão: não basta reconhecer que a saúde mental importa, é preciso olhar para a rotina de trabalho, ouvir as pessoas e agir diante dos fatores que estão causando sofrimento.
Saúde mental também é cuidado
Falar sobre saúde mental é, antes de tudo, lembrar que ninguém precisa enfrentar um momento difícil sozinho.
Se você percebe que não está bem, procure alguém de confiança, converse com um familiar, amigo, colega ou profissional de saúde. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, é uma forma de cuidar de si.
Para quem está por perto, também vale prestar atenção.
Mudanças de comportamento, isolamento, tristeza persistente, irritação, queda de rendimento ou falas que demonstrem desesperança merecem acolhimento e escuta.
Nem sempre a pessoa vai pedir ajuda diretamente, mas isso não significa que ela não precise ser ouvida.
As empresas também têm um papel importante nessa rede de cuidado.
Prevenir o adoecimento significa olhar para a organização do trabalho, identificar riscos psicossociais, combater o assédio e construir um ambiente em que as pessoas tenham espaço para falar e buscar apoio.
Se você ou alguém próximo estiver passando por uma situação difícil, não enfrente isso sozinho. O CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, 7 dias por semana.
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Na Dal Piaz Advogados, acreditamos que cuidar dos direitos dos trabalhadores também significa olhar com atenção para sua saúde mental, seu bem-estar e as condições em que o trabalho acontece. 💛