Guia da mãe que deixou o trabalho para cuidar do filho com autismo: veja se você tem direito ao BPC/LOAS

Um diagnóstico que muda a rotina de toda a família

A rotina de uma mãe de criança com autismo costuma ser marcada por inúmeros compromissos. 

Em muitas famílias, essa nova realidade faz com que a mãe reduza a jornada de trabalho ou até deixe o emprego para conseguir atender às necessidades do filho.

Essa escolha, embora muitas vezes necessária, também desperta preocupações sobre a renda da família e levanta dúvidas se existem benefícios para ajudar nesse momento. 

Afinal, existe algum auxílio para quem vive essa realidade? A criança com autismo tem direito ao BPC? O fato de a mãe ter deixado o trabalho interfere na concessão?

Neste guia, reunimos as principais dúvidas das mães atípicas sobre quem pode ter direito ao BPC-Loas e como solicitar o benefício.

O que é o BPC/LOAS?

O Benefício de Prestação Continuada (BPC-Loas) é um benefício assistencial pago pelo INSS às pessoas com deficiência e aos idosos com 65 anos ou mais que comprovem não possuir meios de garantir o próprio sustento ou de contar com o sustento da família.

É importante destacar que, para todos os efeitos legais, a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é considerada pessoa com deficiência, conforme a Lei nº 12.764/2012

Por isso, crianças com autismo conseguem solicitar o BPC/LOAS, desde que atendam aos requisitos previstos na legislação.

ATENÇÃO! 

O diagnóstico de autismo, por si só, não garante o direito ao BPC. 

Cada pedido é analisado pelo INSS, considerando tanto a condição da criança quanto a situação socioeconômica da família.

Qual é o valor pago pelo BPC/LOAS?

O BPC-Loas garante o pagamento de um salário mínimo por mês à pessoa que tiver o benefício concedido. O valor é atualizado sempre que ocorrer o reajuste do salário mínimo nacional.

É importante lembrar que o BPC possui natureza assistencial. Por isso, diferentemente de alguns benefícios previdenciários, não há pagamento de 13º salário e o benefício não gera direito à pensão por morte.

O BPC é uma aposentadoria?

Não. Embora seja pago mensalmente pelo INSS, o BPC não é uma aposentadoria e também não exige contribuições previdenciárias.

O benefício tem natureza assistencial, é regulamentado pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) e tem como objetivo garantir um salário mínimo mensal às pessoas com baixa renda. 

Por essa razão, quem recebe o BPC não tem direito ao 13º salário nem à pensão por morte decorrente desse benefício. 

Ainda assim, ele representa um importante apoio financeiro para muitas famílias que enfrentam dificuldades em razão dos cuidados permanentes que uma criança com autismo exige.

Para cuidar melhor das crianças autistas, muitas mães largam o emprego e o BPC-Loas se torna um apoio importante. (Foto: Dal Piaz Advogados). 

Deixei de trabalhar para cuidar do meu filho. Minha família pode ter direito ao BPC/LOAS?

Essa é uma das principais dúvidas das mães que precisaram deixar o mercado de trabalho para acompanhar o tratamento do filho com autismo. 

A resposta é: o BPC/LOAS é um direito da criança, desde que sejam preenchidos os requisitos previstos em lei.

Desta forma, o benefício não é concedido porque a mãe deixou de trabalhar, mas sim após a análise da situação da criança e das condições socioeconômicas da família. 

Em muitos casos, a redução da renda familiar decorrente da saída da mãe do emprego passa a fazer parte dessa avaliação.

O que o INSS analisa para conceder o BPC/LOAS para crianças autistas

Para decidir sobre a concessão do benefício, o INSS realiza uma avaliação individual de cada família. 

Entre os principais aspectos analisados estão:

  • a condição de saúde e as limitações decorrentes do Transtorno do Espectro Autista (TEA);
  • o impacto dessas limitações na vida da criança;
  • a renda e a situação socioeconômica do grupo familiar;
  • a documentação médica e social apresentada durante o pedido.

Por isso, o diagnóstico de autismo, por si só, não garante o BPC.

Da mesma forma, o fato de a mãe ter deixado o trabalho também não assegura automaticamente o benefício. 

Requisitos para receber o BPC/LOAS para autistas

Embora muitas famílias conheçam o benefício apenas pelo diagnóstico de autismo, o INSS analisa outros critérios importantes antes de aprovar o BPC/LOAS

Por isso, entender todos eles ajuda a evitar negativas e facilita a organização dos documentos necessários.

Renda familiar é um dos principais critérios

O principal requisito do BPC envolve a situação financeira da família.

A regra geral prevê que a renda por pessoa do grupo familiar seja inferior a 1/4 do salário mínimo vigente. 

Para esse cálculo, o INSS soma a renda das pessoas que vivem na mesma casa e divide pelo número de moradores da família.

São considerados os seguintes rendimentos:

  • Salário.
  • Proventos.
  • Pensões.
  • Pensões alimentícias.
  • Benefícios de previdência pública ou privada.
  • Seguro-desemprego.
  • Comissões.
  • Pró-labore.
  • Outros rendimentos do trabalho não assalariado.
  • Rendimentos do mercado informal ou autônomo.
  • Rendimentos auferidos do patrimônio.
  • Avaliação médica e social no caso de pessoas autistas.

Além disso, também entra o valor mensal gasto com tratamentos de saúde, médicos, fraldas, alimentos especiais e medicamentos, desde que sejam essenciais para a manutenção da saúde e da vida da criança. 

No entanto, é necessário que tenham prescrição médica e declaração do órgão da rede pública de saúde da cidade que não fornece tais itens.

Cadastro Único (CadÚnico) atualizado é obrigatório

Outro requisito importante envolve o CadÚnico.

A família precisa estar inscrita e com os dados atualizados no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal.

Porém, informações desatualizadas sobre renda, endereço ou composição familiar costumam gerar atrasos e negativas no pedido.

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Como funciona a avaliação social do INSS para crianças autistas?

Além da perícia médica, o pedido de BPC/LOAS também passa por uma avaliação social, realizada por um assistente social do INSS. 

Nessa etapa, o objetivo é compreender a realidade da família, as dificuldades enfrentadas no dia a dia e de que forma a deficiência impacta a vida da criança e de seus responsáveis.

Aspectos que o assistente social leva em consideração

Durante a avaliação, geralmente são analisados aspectos como a rotina de cuidados, a necessidade de acompanhamento constante, as despesas relacionadas ao tratamento, as condições de moradia, a composição familiar e a situação econômica do grupo familiar.

Por esse motivo, é importante que a família apresente informações verdadeiras e mantenha documentos e cadastros atualizados. 

A avaliação social, juntamente com a perícia médica e a análise dos demais requisitos legais, contribui, portanto, para que o INSS tenha uma visão mais completa da situação antes de decidir sobre a concessão do benefício.

Quem recebe Bolsa Família consegue receber o BPC?

Essa é uma dúvida muito comum entre as famílias que dependem de programas sociais para complementar a renda.

Em regra, receber o Bolsa Família não impede a concessão do BPC/LOAS.

Os dois benefícios possuem finalidades diferentes e a participação da família no programa de transferência de renda não impede, por si só, a análise do pedido pelo INSS.

É preciso escolher entre um benefício e outro?

Não necessariamente. O direito ao benefício é avaliado conforme a realidade de cada família, considerando a composição, a renda e as regras aplicáveis a cada benefício.

Por isso, antes de solicitar o BPC, é importante verificar como a situação da família será analisada e reunir toda a documentação necessária para demonstrar o cumprimento dos requisitos legais. 

Uma orientação especializada também ajuda a esclarecer dúvidas e evitar equívocos durante o pedido.

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Quais são os principais motivos de negativa do BPC pelo INSS?

Após reunir documentos, passar pelas avaliações e aguardar a análise do pedido, muitas famílias recebem a notícia de que o benefício foi negado. 

Sem dúvida, essa situação gera frustração e muitas dúvidas, mas nem sempre significa que o direito ao BPC não existe.

Listamos abaixo, os motivos mais comuns para a negativa do INSS.  

  • Renda familiar considerada acima do limite previsto na legislação.
  • Documentação médica insuficiente ou desatualizada.
  • Ausência de comprovação das limitações causadas pelo autismo.
  • Inconsistências no Cadastro Único (CadÚnico).
  • Conclusão da perícia médica ou da avaliação social de que os requisitos para a concessão do benefício não foram atendidos.

Veja o que fazer se o pedido do BPC for negado

Antes de tudo, é importante verificar o motivo da negativa. 

Em algumas situações, basta complementar a documentação, atualizar as informações no CadÚnico ou apresentar novos elementos que demonstrem a realidade da criança e da família.

Se a decisão do INSS não refletir a situação apresentada no pedido, também existe a possibilidade de contestá-la na esfera administrativa ou buscar o reconhecimento do direito na Justiça.

Portanto, entender as razões do indeferimento e reunir uma documentação completa aumenta as chances de sucesso em uma nova análise do benefício.

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Dicas para mães que deixaram o trabalho para cuidar do filho com autismo

Quem precisou interromper a carreira para acompanhar o tratamento do filho costuma enfrentar muitas dúvidas sobre o que fazer agora. 

Embora cada família tenha uma realidade diferente, algumas atitudes facilitam o acesso ao BPC/LOAS e contribuem para uma análise mais completa do pedido.

Confira abaixo, algumas orientações importantes. 

  1. Mantenha o Cadastro Único (CadÚnico) sempre atualizado.
  1. Reúna laudos médicos, relatórios de terapeutas e demais profissionais que acompanham a criança.
  1. Guarde receitas, exames e documentos que demonstrem a necessidade dos tratamentos. 
  1. Organize os documentos pessoais e os comprovantes de renda da família. 
  1. Acompanhe o pedido pelos canais oficiais do INSS, como o Meu INSS e a Central 135. 

Em caso de dúvidas ou de negativa do benefício, procure orientação especializada para avaliar a situação.

Cada documento apresentado ajuda a demonstrar a realidade vivida pela família. Por isso, manter essas informações organizadas desde o início torna o processo mais seguro e reduz as chances de atrasos durante a análise do benefício.

Conte com orientação para entender os direitos da sua família

Deixar o trabalho para cuidar de um filho com autismo é uma decisão que transforma a rotina de muitas mães e traz novos desafios. 

No entanto, conhecer os direitos previstos na legislação e entender como funciona o BPC-Loas é um passo importante para buscar o apoio que sua família precisa, principalmente se for de baixa renda.

A Dal Piaz Advogados atua na defesa dos direitos previdenciários e está preparada para analisar cada situação com empatia e acolhimento, oferecendo orientação jurídica segura para famílias que desejam solicitar o BPC/LOAS ou contestar a negativa do benefício.

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Bônus: Perguntas frequentes sobre o BPC/LOAS para crianças com autismo

1. Toda criança com autismo tem direito ao BPC/LOAS?

Não. O diagnóstico de autismo, por si só, não garante a concessão do benefício. O INSS analisa cada pedido individualmente, considerando, sobretudo, os requisitos legais, a situação da criança e a realidade socioeconômica da família.

2. A mãe precisa deixar de trabalhar para solicitar o BPC?

Não. O fato de a mãe ter deixado o trabalho não é um requisito para receber o benefício. No entanto, essa mudança muitas vezes influencia a renda familiar, um dos aspectos avaliados durante a análise do pedido.

3. Quem pode solicitar o BPC da criança com autismo?


O responsável legal da criança pode fazer o pedido, apresentar a documentação exigida e acompanhar o processo junto ao INSS.

4. É obrigatório estar inscrito no CadÚnico?

Sim. A inscrição no Cadastro Único (CadÚnico) é um dos requisitos para solicitar o BPC. Além disso, os dados da família devem estar atualizados para que o pedido seja analisado corretamente.

5. Quais documentos ajudam a solicitar o BPC?

Entre os principais documentos estão laudos médicos atualizados, relatórios de profissionais que acompanham a criança, exames, receitas, documentos pessoais, comprovantes de renda e de residência, além do Cadastro Único atualizado.

6. Como funciona a avaliação social do INSS?

Um assistente social do INSS realiza a avaliação social para compreender a realidade da família, considerando fatores como rotina de cuidados, situação econômica, composição familiar, despesas com tratamento e o impacto do autismo no dia a dia da criança.

7. Quem recebe Bolsa Família pode solicitar o BPC?

Sim. O recebimento do Bolsa Família não impede, por si só, a solicitação do BPC. O INSS analisará a situação da família conforme os critérios previstos na legislação.

8. Qual é o valor pago pelo BPC-Loas?

O BPC garante o pagamento de um salário mínimo por mês ao beneficiário. Como se trata de um benefício assistencial, ele não dá direito ao 13º salário nem gera pensão por morte.

9. O que fazer se o INSS negar o pedido do BPC?

O primeiro passo é verificar o motivo da negativa. Dependendo do caso, é possível apresentar novos documentos, complementar informações ou contestar a decisão administrativa e, quando cabível, buscar o reconhecimento do direito na Justiça.

10. Vale a pena procurar orientação jurídica antes de solicitar o BPC?

Sim. Uma orientação jurídica especializada ajuda, acima de tudo, a identificar se a família preenche os requisitos legais, organizar a documentação necessária e esclarecer dúvidas sobre o processo de solicitação, aumentando a segurança durante a análise do pedido.

Fonte: 

Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) 

Benefício assistencial à pessoa com deficiência (BPC-Loas)

Lei nº 12.764/2012 

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