7 dúvidas sobre o BPC para crianças com autismo respondidas por especialistas

Introdução 

Receber o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) traz muitas mudanças para a rotina da família. 

Entre consultas, terapias e adaptações no dia a dia, também surgem dúvidas sobre os direitos da criança, principalmente em relação ao Benefício de Prestação Continuada (BPC-Loas).

Embora esse benefício seja um importante apoio para famílias de baixa renda, muitas mães e cuidadores ainda acreditam que ele é concedido automaticamente ou, por outro lado, deixam de fazer o pedido por pensarem que não têm direito. 

Para ajudar as mães atípicas, reunimos as principais dúvidas sobre o BPC para crianças com autismo e respondemos, de forma acolhedora, às perguntas que mais chegam ao nosso escritório. 

Dúvida 1: Toda criança com autismo tem direito ao BPC?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é reconhecido pela legislação brasileira como uma deficiência. 

Esse reconhecimento está previsto na Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, que estabelece a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Isso significa que a criança com autismo passa a ter acesso aos direitos garantidos às pessoas com deficiência, desde que atenda aos requisitos previstos para cada benefício.

BPC/Loas

Entre esses direitos está o Benefício de Prestação Continuada (BPC-Loas), destinado às pessoas com deficiência que pertencem a famílias de baixa renda.

Vale lembrar que o BPC não é um benefício concedido apenas pelo diagnóstico de autismo. Ele faz parte da assistência social e tem critérios específicos definidos em lei. 

Por isso, algumas crianças terão direito ao benefício, enquanto outras poderão não preencher todos os requisitos exigidos.

Dúvida 2: Quem tem autismo recebe o BPC automaticamente?

Não. O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) não garante, por si só, a concessão do BPC-Loas.

Além de reconhecer o autismo como deficiência, o INSS verifica se a família atende aos critérios previstos na legislação, como a situação de baixa renda e a avaliação da deficiência por meio de perícia médica e avaliação social.

O pedido do benefício pode ser realizado pelo portal ou aplicativo Meu INSS, pela Central 135 ou diretamente em uma agência do INSS, mediante agendamento. 

Durante o processo, a família deverá apresentar a documentação necessária e participar das avaliações previstas para a análise do benefício.

Cada pedido é analisado individualmente, levando em consideração a realidade da criança e de sua família.

Dúvida 3: Quais são os requisitos para receber o BPC?

O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um requisito importante, mas ele não é o único analisado pelo INSS. 

Para a concessão do BPC, a família precisa atender aos critérios, que envolvem tanto a condição da criança quanto a situação financeira do grupo familiar.

Veja o que o INSS considera durante a análise

Entre os principais requisitos estão estes abaixo. 

  • Comprovação da deficiência por meio da perícia médica e da avaliação social.
  • Renda familiar dentro dos critérios estabelecidos para o benefício.
  • Inscrição e atualização do Cadastro Único (CadÚnico).

A legislação estabelece, como regra geral, que a renda familiar por pessoa seja inferior a 1/4 do salário mínimo (R$ 405,25 em 2026). Além desse critério, a família deve estar inscrita e com os dados atualizados no Cadastro Único (CadÚnico).

Contudo, ainda assim, a renda não é o único aspecto considerado. 

Em determinadas situações, especialmente na análise judicial, o caso é avaliado de forma mais ampla. 

Sobretudo, despesas elevadas com terapias, medicamentos, transporte e outros cuidados indispensáveis para a criança provam uma situação de vulnerabilidade, mesmo que a renda familiar ultrapasse o limite previsto em lei.

Saiba mais sobre todos os requisitos:

BPC-Loas para crianças autistas: quais são os requisitos para pedir

O BPC-Loas é um direito das crianças autistas com vulnerabilidade social. (Foto: Magnific)

Dúvida 4: Quais documentos ajudam a comprovar o direito ao BPC?

Sempre recomendamos organizar os documentos antes de fazer o pedido para facilitar a análise do INSS e evitar atrasos durante o processo. 

Embora cada caso tenha suas particularidades, alguns documentos costumam ser essenciais para demonstrar tanto a condição da criança quanto a realidade da família.

Entre os principais estão estes listados abaixo.

  • Laudo médico com o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). 
  • Relatórios médicos atualizados.
  • Relatórios de psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e outros profissionais que acompanham a criança.
  • Exames, receitas e comprovantes de medicamentos, quando houver.
  • Documentos pessoais da criança e dos responsáveis.
  • Comprovante de inscrição e atualização do CadÚnico.
  • Documentos que comprovem a renda familiar.

Sempre que possível, também é importante reunir comprovantes de despesas relacionadas ao tratamento, como terapias, medicamentos, transporte e outros custos que fazem parte da rotina da criança.

A qualidade dos documentos faz diferença

Mais do que apresentar um grande volume de papéis, é importante que os documentos retratem a realidade da criança.

Especialmente relatórios que explicam as dificuldades enfrentadas no dia a dia, a necessidade de acompanhamento contínuo e os impactos do autismo na rotina costumam contribuir para uma análise mais completa por parte do INSS.

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Dúvida 5: Como o INSS avalia o pedido do BPC para crianças com autismo?

Depois que a família faz o pedido, o INSS inicia uma análise que vai além dos documentos médicos. O objetivo é, sobretudo, entender se a criança atende aos requisitos previstos em lei para receber o benefício.

Essa avaliação acontece, sobretudo, em duas etapas e considera tanto a condição de saúde da criança quanto a realidade vivida pela família.

Perícia médica

Na perícia, o médico do INSS analisa os laudos, exames, relatórios e demais documentos apresentados. Também pode fazer perguntas aos responsáveis para compreender como o autismo interfere na rotina da criança.

Durante essa etapa, são observados aspectos como:

  • dificuldades de comunicação e interação;
  • necessidade de acompanhamento constante;
  • limitações para realizar atividades do dia a dia;
  • frequência das terapias;
  • evolução do quadro clínico.

Quanto mais completos e atualizados estiverem os documentos, mais informações o perito terá para analisar o caso.

Avaliação social

Além da perícia médica, o INSS faz uma avaliação social, conduzida por um assistente social. Nessa etapa, o foco está na realidade da família.

O profissional busca, acima de tudo, compreender as condições de moradia, a composição familiar, a renda, os gastos relacionados ao tratamento e as barreiras que a criança enfrenta para participar da vida em sociedade.

Essa análise ajuda a verificar se a família atende aos critérios do BPC e de que forma a deficiência impacta o cotidiano.

O diagnóstico faz parte da avaliação, mas não é o único critério

Sem dúvida, ter um laudo que confirme o Transtorno do Espectro Autista é essencial para solicitar o benefício. Ainda assim, o INSS também considera o conjunto das informações apresentadas durante o processo.

Nosso advogado explica melhor no vídeo abaixo, clique para assistir. 

Dúvida 06: Qual é o valor do BPC para crianças com autismo?

Se o pedido for aprovado, a criança passa a receber um salário mínimo por mês.

Esse valor ajuda a família a custear parte das despesas que fazem parte da rotina, como terapias, medicamentos, transporte e outros cuidados relacionados ao TEA.

A família consegue usar o benefício como quiser 

O BPC não exige que o valor seja destinado a uma despesa específica. 

Assim, os responsáveis conseguem utilizá-lo para atender às necessidades da criança, contribuindo para o tratamento, o desenvolvimento e a qualidade de vida.

Vale lembrar que o BPC é um benefício assistencial. Por isso, ele não dá direito ao 13º salário nem gera pensão por morte aos dependentes.

O benefício é permanente?

O BPC continua sendo pago enquanto a criança atender aos requisitos previstos em lei.

No entanto, o INSS pode realizar revisões periódicas para verificar se as condições que deram origem ao benefício permanecem as mesmas.

Durante essa reavaliação, o órgão analisa novamente a documentação médica, a avaliação da deficiência e a situação socioeconômica da família. 

IMPORTANTE 

Mantenha sempre o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado, pois informações desatualizadas interferem na manutenção do benefício.

Caso o INSS conclua que os requisitos deixaram de ser atendidos, o benefício corre o risco de ser suspenso ou cessado. Por isso, acompanhar as convocações do INSS e manter a documentação organizada ajuda a garantir a continuidade do BPC.

Dúvida 07: Corro o risco do INSS negar o benefício mesmo com laudo médico?

Sim. Essa é uma situação que acontece com mais frequência do que muitas famílias imaginam.

O laudo médico é um documento importante para comprovar o diagnóstico de TEA, mas ele não garante, sozinho, a concessão do BPC. 

O INSS também analisa os demais requisitos do benefício, como a avaliação da deficiência, a situação socioeconômica da família e as informações obtidas durante a perícia médica e a avaliação social.

Leia também: 

Tenho laudo médico e o INSS negou meu benefício: isso está certo?

Pediu o BPC e foi negado? Não desista! 

Caso o pedido seja negado, isso não significa que a criança não tenha direito ao BPC-Loas. 

Em algumas situações, a família consegue apresentar recurso ou buscar a revisão da decisão, principalmente se houver documentos que comprovem as dificuldades enfrentadas no dia a dia.

O que fazer se o INSS negar o pedido?

Receber uma negativa é frustrante, especialmente para famílias que já enfrentam uma rotina intensa de cuidados com a criança. 

Ainda assim, essa decisão não significa que o direito ao benefício deixou de existir.

O mais importante é entender o motivo da negativa. 

Em alguns casos, o problema está na documentação apresentada. Em outros, a divergência ocorre durante a perícia ou na avaliação dos requisitos do benefício.

É possível recorrer da decisão

Se a família acredita que a decisão foi injusta, aconselhamos apresentar um recurso administrativo ao INSS ou, dependendo da situação, buscar a análise do caso pela Justiça.

Contar com orientação jurídica nesse momento ajuda a identificar a melhor estratégia e a reunir os documentos necessários para fortalecer o pedido.

Você precisa de ajuda? Clique aqui para falar com um especialista. 

Sua família não precisa enfrentar esse processo sozinha

Buscar o BPC para uma criança com autismo vai muito além de solicitar um benefício. Para muitas famílias, esse apoio representa mais tranquilidade para manter tratamentos, terapias e os cuidados que fazem parte da rotina.

Como cada caso é analisado de forma individual pelo INSS, conhecer os requisitos e apresentar a documentação adequada é de extrema importância durante o processo.

Se você ainda tem dúvidas sobre o direito ao BPC ou recebeu uma negativa do INSS, a Dal Piaz Advogados está preparada para orientar sua família, analisar o caso e auxiliar na busca pelo benefício com segurança e acolhimento.

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Fonte:

Assistência Social – Serviços e Informações do Brasil

Dal Piaz Advogados

Lei nº 12.764/2012  –  Lei Berenice Piana

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