Redes sociais: quais são os impactos na relação de trabalho?

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Redes Sociais e o ambiente de trabalho

Curtir, compartilhar, publicar fotos são algumas das inúmeras funções das redes sociais. Desde a sua popularização elas mudaram as rotinas pessoais e profissionais, tornando-se uma parte integral do cotidiano. 

Um estudo feito pela Comscore mostrou que o Brasil é o terceiro país no mundo que mais consome redes sociais. São 131,5 milhões de usuários conectados. 

Plataformas ou aplicativos destinados para conexões pessoais são as redes sociais. Elas também são usadas no ambiente corporativo para realizar algumas funções, mas, neste contexto, exigem atenção especial. O uso excessivo ou inadequado pode causar impactos, tanto para a empresa, como para o trabalhador.

Você já parou para pensar quanto tempo usa as redes pessoais no horário de trabalho? Será que existem regulamentações para isso? Descubra no texto abaixo. 

Casos de uso problemático das redes sociais

As redes sociais ocasionaram uma mudança comportamental nas pessoas em vários aspectos. Na questão trabalhista, o uso inadequado em horário de expediente já trouxe problemas para muita gente. 

Uma notícia veiculada em setembro pela Tribuna Online mostrou que, somente em São Paulo ocorrem aproximadamente 65 demissões por dia devido ao mau uso das redes sociais. Os desligamentos são por diferentes situações e às vezes até por justa causa. 

Não é somente o uso inadequado das redes sociais no trabalho que pode gerar demissões. Publicações com caráter discriminatório, ofensivo, sexista, racista, etc., mesmo que expressem ‘opinião pessoal’; divulgações que comprometam a empresa e a privacidade de outras pessoas são outros exemplos que podem levar ao desligamento.

Recentemente exoneraram uma assessora especial do Ministério da Igualdade Racial do cargo após ela publicar ofensas aos torcedores do time de futebol de São Paulo.

A exoneração aconteceu após a publicação de um story. No texto ela dizia: “Torcida branca que não canta, descendente de europeu safada. Pior tudo de pauliste”. O Ministério salientou que as manifestações estão em desacordo com os seus propósitos e políticas e decidiu exonerá-la do cargo. 

Posso ser demitido por uso indevido das redes sociais? Clique e descubra. Ideias para criar um planejamento de crises nas redes sociais. 
Uso do celular no ambiente de trabalho. (Foto: Freepik)

O que dizem as leis

Mesmo que não haja uma legislação específica, as leis trabalhistas deixam livre para as empresas definirem no contrato de trabalho, condutas e políticas relacionadas ao uso das redes sociais, amparado pelo Art. 444 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Este por sua vez, reforça que as empresas podem estipular essas relações contratuais, mas sem violar as disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos e às decisões das autoridades competentes. 

Diretrizes para uso responsável das redes sociais

O uso responsável das redes sociais no ambiente de trabalho promove um clima organizacional agradável. Do contrário, pode gerar problemas de reputação para a empresa e demissões que podem prejudicar a carreira profissional do funcionário.

Esta é uma questão que envolve empresa e trabalhador e requer boas práticas de uso. Listamos abaixo algumas diretrizes para o uso consciente e ético das redes sociais. 

Para o trabalhador

  • Postura: seja consciente ao compartilhar informações sobre a empresa em seus perfis pessoais.
  • Respeite a privacidade e a confidencialidade das informações: evite compartilhar informações confidenciais da empresa em plataformas públicas. 
  • Cuidado com publicações que envolvam assuntos polêmicos.
  • Não deixe perfis pessoais logados no trabalho.
  • Tenha bom-senso ao usar as redes sociais no ambiente de trabalho. Reserve momentos específicos para verificar e responder às mensagens.
  • Cuide da sua reputação online, ela impacta também na sua carreira.
  • Seja um embaixador positivo da empresa que você trabalha, isso também promove uma imagem profissional construtiva.
  • Evite críticas e reclamações públicas à empresa ou aos colegas, converse internamente com o seu superior. 
  • Por fim, se a empresa tiver um guia de conduta, respeite. 

Para a empresa

  • Crie políticas internas com orientações e especificações para o uso das redes sociais no ambiente de trabalho. 
  • Comunique de uma forma transparente e entendível, para que todos compreendam claramente e em todos os níveis hierárquicos. 
  • Promova a consciência digital para sensibilizar os funcionários sobre os impactos das redes sociais na carreira profissional e na reputação da empresa. 
  • Ofereça treinamentos e incentive a responsabilidade no compartilhamento e publicações.

Prevenção e gestão de crises relacionadas às redes sociais

Uma das principais ferramentas para prevenir e gerenciar uma possível crise nas redes sociais é a criação de um planejamento estratégico de comunicação e marketing.

Dentro deste plano, construa uma Matriz SWOT para avaliar os riscos potenciais e identificar forças, fraquezas, oportunidades e ameaças da marca na internet. Considere situações como feedback negativo, comentários ofensivos, divulgação indevida de informações e possíveis falhas de segurança.

Estabeleça uma equipe multidisciplinar responsável para o gerenciamento de crises nas redes sociais e tenha certeza que todos estejam bem preparados e treinados sobre os procedimentos a serem seguidos. 

Crie políticas e procedimentos claros e treine os seus funcionários. Uma dica: elabore um guia de conduta em mídias sociais. Lembre-se: nada adianta criar um guia se não disseminar por toda a empresa de uma maneira clara e transparente. 

Defina as ações a serem tomadas em caso de crise, incluindo quem deve ser contatado e como as informações devem ser divulgadas. 

Crie um manual de respostas para comentários em publicações envolvendo a empresa, levando em consideração a empatia, a postura e a educação. 

Em um mundo cada vez mais digital, as empresas precisam estar antenadas e preparadas às novas realidades, e isso inclui as questões trabalhistas relacionadas. Manter um plano de gerenciamento de crise, além de garantir a voz da empresa na internet, também é uma defesa em caso de problemas judiciais. 

Conclusão

As redes sociais podem passar de heroínas e vilãs em segundos. Uma única publicação pode destruir a reputação de uma empresa, mas também de uma pessoa.

Quando o ambiente é o local de trabalho, a atenção deve ser redobrada. Manter uma postura ética e coerente com a realidade da empresa é uma escolha certeira para quem busca construir uma carreira profissional sólida. 

O uso responsável das redes sociais dos dois lados – empresa e funcionário –deve coexistir.  

Como vimos aqui, criar políticas e diretrizes com as melhores práticas é uma importante ferramenta para manter a integridade. Entretanto, o funcionário precisa respeitar o que é definido pela empresa, principalmente dentro do horário de expediente. 

O uso excessivo de redes sociais durante o horário de trabalho pode prejudicar a produtividade devido às distrações online e impactar negativamente o foco e a eficiência no cumprimento de tarefas. Junto com o compartilhamento inadequado de informações pode resultar na perda do emprego e em questões legais, mesmo as atitudes que não estão associadas à empresa ou órgão público, também podem levar à demissão, inclusive por justa causa. 

Vimos também a necessidade da empresa de mitigar riscos com um bom planejamento de gestão de crises, pois no ambiente digital é preciso ser rápido e ter estratégias eficazes. As informações são praticamente instantâneas. 

Outro ponto que merece atenção são as questões judiciais. Por isso, dentro da sua equipe multidisciplinar considere o apoio de um advogado especialista para se proteger de eventuais ações judiciais. Esse profissional também vai ajudar a construir um guia para os funcionários livre de passivos trabalhistas. 

IMPORTANTE 

A sua conduta nas redes sociais reflete na sua imagem profissional e pessoal. Pense bem antes de publicar! 

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Fontes: Tribunal Superior do Trabalho – TST | Tribuna Online 

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